valores morais e imorais

Thursday, October 05, 2006

valores morais

Valores morais
O mais grave da reeleição do Bush é que ela acontece num momento em que são ainda remotas as possibilidades de se estabelecer colônias humanas em outros planetas, deixando sem resposta a pergunta “Fugir para onde?”
A vitória de Bush não poderia ter sido pior para a Terra. Ele não só ganhou com grande vantagem no voto popular, o que lhe dá a legitimidade que a eleição anterior, roubada, não dera, como governará com maioria suficiente no Congresso para aprovar a política externa e interna que quiser. Inclusive a nomeação de mais juízes conservadores para o supremo tribunal, que já tem maioria conservadora, o que eqüivale a assegurar uma agenda doméstica reacionária para o país por muitos e muitos anos.
Foi a maior vitória da direita na História moderna dos Estados Unidos, maior do que as de Nixon e de Reagan. Não é consolo pensar que mais de 50 milhões votaram contra Bush. Os que votaram a favor lhe deram um mandato que se confunde com uma autorização do alto: se antes ele tinha dúvidas, agora pode dizer que sabe que é um escolhido de Deus. Ou do “Deus certo”, como ele mesmo descreveu seu principal patrocinador, para distingui-lo dos deuses dos outros.
Analistas americanos estão dizendo que foram os “valores morais”, acima de qualquer outra questão, que decidiram as eleições. Coisas como aborto, casamento de gays e outras liberalidades das duas costas que a América do meio não aceita. Descontados os votos populares a mais, os mesmos estados que elegeram Bush em 2000, antes do 11/9 e da invasão do Iraque, o elegeram agora, o que significa que para o grosso dos conservadores e fundamentalistas religiosos que o apóiam a guerra de Bush não fez qualquer diferença, ou não fez uma diferença superior à dos “valores morais”.
Na semana anterior à eleição foi publicado um estudo feito por pesquisadores da Universidade John Hopkins no Iraque que concluiu com a estimativa de que 100.000 (cem mil) civis iraquianos, mais da metade mulheres e crianças, morreram até agora como resultado, principalmente, de ataques aéreos, durante a guerra. A Universidade John Hopkins, de Baltimore, não tem nenhuma ligação que se saiba com o terrorismo islâmico. É, mesmo, conhecida como um dos centros de estudos mais conservadores entre as universidades americanas. Mas os autores da pesquisa fizeram questão de publicá-la antes das eleições, dada a enormidade do crime até agora desprezado e como crítica aberta aos seus responsáveis. Mas nem os cem mil mortos iraquianos que ninguém tinha se dado o trabalho de contar nem os mil e tantos soldados americanos oficialmente mortos numa guerra justificada e defendida com mentiras por Bush e seus neocons afetaram o julgamento moral dos eleitores, ou sequer foram destaque na campanha. Talvez a presença de alguns fetos entre os mortos do Iraque tivesse sensibilizado pelo menos os opositores do aborto.
Seja como for, um efeito que esta eleição certamente deveria ter seria o de mudar para sempre o conceito de valor moral.

Valores morais e imorais




Quando falamos em ética, estamos nos referindo aos bons costumes, bons valores,
válidos para todos os seres humanos, como amor, paz, bondade e tolerância, entre outros
tantos. Costume em grego é “Éthos” (ética) e em latim significa “mores” (moral). Talvez
esteja aí a origem da costumeira confusão que fazemos sobre moral e ética.
A ética é a teoria ou ciência do comportamento moral dos homens em sociedade. A
capacidade ética tem por objetivo a reflexão crítica do ato moral, ou seja, sobre o que é (ou
pode ser) errado. Assim a ética não é moral. Moral é o objeto de estudo da ética, diz respeito
aos costumes, valores e normas de conduta de cada sociedade.
A ética, então, pode ser o regimento, a lei do que seja ato moral, o controle de
qualidade da moral. Daí os códigos de ética que servem para as diferentes micro-sociedades
dentro do sistema maior. A moral por sua vez, de acordo com Kant, “é aquilo que precisa ser
feito, independentemente das vantagens ou prejuízos que possa trazer”. Assim, quando
praticamos um ato moral, poderemos até sofrer conseqüências negativas, pois o que é moral
para uns pode ser amoral ou imoral para outros. Veja o exemplo.
A família do Sr. João tem o costume de tomar banho junta. Pai, mãe e filhos
(meninas e meninos) sempre tomaram banho juntos. É cultural, dentro da casa, a exposição do
corpo nu entre eles sem que haja conotações de sexualidade ou de promiscuidade. No entanto,
seus vizinhos, regidos por uma cultura totalmente avessa a esse tipo de comportamento,
quando ficaram sabendo do banho coletivo familiar daquela família, passaram a denomina-la
de imoral. Esse simples e pequeno exemplo, pode justificar o que foi afirmado acima: que
ações morais, para uns, podem ser imorais para outros. Não há como definir quem está
“certo” ou quem está “errado”, é uma questão cultural familiar, de uma micro-sociedade.
Duas pessoas podem ter valores diferenciados a respeito do que seja ato moral ou imoral, é
Conhecimento Interativo, São José dos Pinhais, PR, v. 2, n. 1, p. 184-185, jan./jun. 2006 185
uma questão de consciência pessoal. Daí o conceito do Kant sobre “aquilo que precisa ser
feito”.
Para qualificar, ou seja, para normatizar o que é ou não moral em micro e macrosociedades,
instituíram-se os códigos de ética. Todas as sociedades têm o seu. Pode ser
documentado com parágrafos e capítulos ou pode ser, no caso de algumas culturas, uma
forma de viver aceita pelos seus membros. Na Índia existem algumas aldeias em que os mais
velhos mutilam sexualmente as meninas ainda crianças extirpando o seu clitóris. Não está
escrito em lugar algum que isso deve ser feito, mas todos, apesar da revolta do resto da
humanidade, mantém essa atitude em nome de um ato ético que diz que, naquela sociedade a
mulher não pode sentir prazer.
Os códigos de ética, então, servem para definir o que é e o que não é ato moral. Em
nossa sociedade capitalista que valoriza a posse de bens materiais e do lucro em detrimento
dos valores morais, o que vale é não quebrar o código de ética estabelecido. Assim, quando
um deputado, senador, prefeito ou vereador aumenta o seu salário em 300%, argumenta sem
constrangimento que “a legislação nos permite essa manobra”, colocando a culpa num
regimento, estará sendo ético, mas, imoral ao mesmo tempo.
A democracia, mal interpretada no seu objetivo, autoriza a sociedade, de modo geral,
a usar de qualquer forma manipulativa, que não atente aos códigos de ética como os
regimentos e código penal, por exemplo, para o acúmulo de bens. A minoria apoiada pelos
políticos, pelos capitalistas, enfim, por quem detêm o poder, cada vez ganha mais e,
conseqüentemente, acumula mais. Por outro lado temos a maioria dessa sociedade que não
possui essas habilidades e oportunidades, ou não se interessa por elas. Representam o
contraponto das diferenças sociais, no qual algumas pessoas possuem o que não conseguiriam
consumir em sua existência e por isso esbanjam adquirindo carros de milhões e casas
suntuosas, desvirtuando por completo o conceito de ética representar bons costumes e bons
valores, e por outro lado indivíduos mantendo suas famílias com salário mínimo e vivendo
uma sub vida, na miséria. É ético? Sim! Pois não viola as leis do sistema. É moral? Não! Pois
viola os direitos humanos em toda a sua essência. Conseqüências? Muitas! Principalmente no
quesito, aumento do comportamento anti-social como a corrupção, sonegação, agressividade e
violência, o que resta a muitos como recurso para demonstrar a sua indignação.